quarta-feira, 3 de julho de 2013

Nove coisas que todo brasileiro deveria e pode saber sobre a monarquia



A instrução é quase nula, à medida que também é quase nulo o gosto de instruir-se; e temos em casa o exemplo.  Acabais de ouvir que o dispêndio feito com as escolas desta cidade é muito inferior ao que se faz com a polícia: sinal evidente de atraso intelectual.  Segundo a opinião dos competentes, a proporção regular entre o número de habitantes de um lugar e o das pessoas que devem frequentar a escola é de 12 a 15 por cento, se esse lugar quer ter o título de adiantado.  Ora, dos três mil espíritos, que dissemos haver aqui dentro, 4 por cento e alguns quebrados é que se encontra realmente de frequência em cinco casas de instrução que existem, sendo somente 7 por cento o número de matriculados! ... Vê-se, pois, que ainda entre nós há uma certa má suspeita contra a arte diabólica de ler e escrever.



                                                                      Tobias Barreto
       
        As palavras que abrem esta postagem são de Tobias Barreto (1839-1889), transcritas do livro O Império do Brasil, de Lúcia Neves e Humberto Machado. O filósofo e jurista sergipano se referia às mazelas do município pernambucano de Escada no ano de 1879, mas sua intenção era criticar o quadro educacional do Brasil como um todo.  Alguns leitores talvez já tenham se perguntado por que motivo um blog cujas características são mais de trincheira política do que de fonte para pesquisa escolar reúne tantas informações sobre a monarquia sem que haja um partido monarquista consistente a combater ou qualquer perspectiva de "restauração" no horizonte institucional ou nos gritos das ruas. 
        A primeira parte da resposta é muito simples: o Brasil do século XIX constitui o foco principal das investigações do autor do blog há mais de uma década, e inúmeras vezes as correlações entre o que foi estudado e a atual conjuntura social, econômica e política do país se impõem de maneira irresistível.  A segunda envolve um pouco mais de subjetividade; se é certo que a maioria esmagadora dos dirigentes brasileiros detestaria ver seus projetos de classe (e/ou suas ambições pessoais) sujeitos aos caprichos de um Poder Moderador exercido por qualquer aristocrata esnobe provido pela sorte dos genes de D. Maria I, a Louca, não é menos verdadeiro que a grande mídia expõe uma visão antes ufanista do que negativa do regime caído em 1889. 
        O fenômeno nada tem de gratuito: ainda que uma ou outra minissérie noturna exiba a velha caricatura do D. João VI alienado e devorador de coxinhas e que um ou outro documentário histórico recupere a  óbvia conexão entre monarquia e escravismo, prevalecem as versões que apresentam o Império, em particular o reinado do segundo imperador, como uma época de austeridade onde quase todos ostentavam honestidade e decoro, inclusive os políticos de carreira!  Nada mais conveniente para a direita: o cidadão comum se vê induzido a crer que havia moralidade exemplar nos tempos em que as mulheres cuidavam de casa em jornada integral e que as condições de nascimento, salvo rara exceção, determinavam quem devia mandar e quem devia obedecer resignadamente.
       Já tratei em outras matérias das patifarias de barões, viscondes e marqueses, mas isto tem efeito limitado sobre quem se apega ao mito.  Mesmo que eu dispusesse de horas vagas em quantidade suficiente para demonstrar a participação de mil membros da falecida classe senhorial em crimes comuns e situações de abuso de poder, tanto os conservadores fanatizados quanto os puramente cínicos diriam que trabalho com exceções.  Decido então trazê-los à realidade por meio da lembrança de aspectos da organização político-administrativa e da vida socioeconômica do Império que não poderão contestar sem entrar no terreno do delírio.                                 


1-Nunca existiu, no Império do Brasil, eleição para a chefia do Poder Executivo no âmbito regional.  Cabia ao imperador nomear os presidentes das províncias, podendo em tese também removê-los a qualquer momento baseando-se apenas em seus critérios pessoais.  Estas autoridades, quase invariavelmente, estavam ligadas ao partido que detinha o governo central, o que gerava graves distorções: durante um período de domínio conservador, o eleitorado da província do Rio Grande do Sul, que tendia maciçamente para os liberais, seria obrigado a suportar contra sua vontade uma administração conservadora; o inverso ocorreria com a nomeação de um presidente liberal para a província do Rio de Janeiro, onde predominavam os conservadores por  ampla margem. 

2-A despeito da propaganda tendenciosa dos historiadores monarquistas que enaltecem a presumida participação generalizada da população brasileira nas eleições do Império, breve consulta à legislação eleitoral nos prova que somente uma diminuta minoria exercia direitos políticos em sua plenitude.  Pelo decreto de 26 de março de 1824 ficou convencionado que "Toda a paróquia dará tantos eleitores, quantas vezes contiver o número de cem fogos em sua população" (o termo "fogo" significava uma habitação independente).  Cerca de meio século mais tarde, o decreto nº 2675 de outubro de 1875 estipulou o tamanho do eleitorado "na razão de um eleitor para cada 400 habitantes de qualquer sexo ou condição, com a exceção dos súditos de outros Estados".  Na prática, apenas estes 0,25% dos brasileiros, ditos eleitores secundários, votavam nos candidatos a deputado provincial, deputado geral e senador. Ressalto que as condições postas para alguém ter o direito de ser votado eram ainda mais restritivas.
(Ver Francisco Belisário Soares de Souza.  O sistema eleitoral no Império.  Brasília: Senado Federal, 1979, p. 188 e 257) 

3-O Estado imperial impunha a discriminação religiosa sob diversas formas.  A Constituição de 1824, que vigorou durante os dois reinados, determinava em seu artigo 5º que às religiões diferentes da Igreja Católica Apostólica Romana seria permitido unicamente o culto doméstico, "sem forma alguma exterior do Templo".  O já mencionado decreto de 26 de março de 1824 excluía do rol dos habilitados ao cargo de deputado "os que não professassem a religião do Estado". 
(Ver novamente Soares de Souza, p. 196).

4-O governo regencial fez aprovar em 7 de novembro de 1831 uma lei que declarava livres, a partir daquela data, os escravos que fossem trazidos do exterior, estabelecendo que os introdutores,  além de incorrer nas penas já previstas pelo Código Criminal para os escravizadores de pessoas livres, deveriam financiar a "reexportação" de sua carga humana para a África.  Todavia, a legislação foi sistematicamente desrespeitada pelas autoridades administrativas e judiciárias de todos os níveis, e o tráfico negreiro, depois de experimentar algum recuo, cresceu sensivelmente a partir de 1837, quando conservadores ditos "regressistas" passaram a controlar o governo central.  Jamais saberemos com exatidão a quantidade dos africanos trazidos para o Brasil  numa violação das próprias regras formais do Estado escravista, mas o pesquisador David Eltis estimou seu total em 718.000 entre 1831 e 1855, dos quais a maioria foi embarcada na região Congo-Angola.  Contrariando o estúpido argumento dos que tentam isentar os brasileiros destes crimes atribuindo uma culpa exclusiva aos portugueses, o historiador Roquinaldo do Amaral informa que 59% dos navios  negreiros identificados que foram apreendidos na costa de Angola entre 1845 e 1850 eram brasileiros. 
(Ver Roquinaldo do Amaral.  Brasil e Angola no tráfico ilegal de escravos, 1830-1860.  In: Angola e Brasil nas rotas do Atlântico Sul/Selma Pantoja e José Flávio Sombra Saraiva (orgs.).  Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1999, p. 143-144)

5-O Senado imperial era vitalício.  Levando-se em conta a baixa expectativa de vida da época, notamos que um cidadão eleito para aquela Casa poderia continuar no parlamento mesmo depois de terem morrido na maior parte seus poucos eleitores.  João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu foi senador por Alagoas de 1857 a 1889; José Inácio Silveira da Mota representou Goiás de 1855 a 1889; Pedro de Araújo Lima ocupou uma vaga por Pernambuco entre 1837 e 1870.  Além disto, os senadores eram escolhidos pelo imperador a partir de uma lista tríplice dos mais votados. Para ficarmos em um único exemplo de arbítrio, quando o romancista José de Alencar, então ministro da Justiça, concorreu ao Senado por sua província natal, o Ceará, vencendo a eleição, D. Pedro II, que desaprovara sua candidatura, nomeou senador o segundo colocado, Domingos José Nogueira Jaguaribe, em 27 de abril de 1870. 
(Ver Vicente Tapajós.  Organização política e administrativa do Império.  Brasília: FUNCEP, 1984, p. 154)             


6-Serviços públicos básicos, como o abastecimento de água encanada e a rede de esgotos, eram inteiramente negligenciados na monarquia e virtualmente inexistiam na metade do século XIX em pleno Rio de Janeiro.  O sistema de esgotos da capital do Império só foi inaugurado em 1862 e, embora mais tarde este "privilégio" tenha sido estendido a outras cidades, como São Paulo, Recife, Manaus e Salvador, a água encanada permaneceu como um luxo acessível a pouquíssimas pessoas.
(Cf. Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves e Humberto Fernandes Machado. O Império do Brasil.  Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999, p. 291 a 295)     

7-Os impostos estabelecidos sobre o comércio de exportação e importação representavam uma fonte vital de receita para o Estado Imperial.  Isto não impediu que o setor portuário fosse dominado pela precariedade e pelo improviso, conforme percebemos nestas linhas de Cezar Honorato:
"O porto no correr do Império, é bom que se diga, não passava de um conjunto desarticulado e mal construído de trapiches de madeira, onde encostavam as lanchas que eram carregadas para levar os produtos até o navio que ficava fundeado no largo.  Cada um destes trapiches tinha seu dono, que, normalmente, tinha um grupo de escravos que transportava o produto desde o armazém até o pontal ou trapiche.  Os chamados armazéns eram, normalmente, galpões de madeira com piso de chão, sem segurança e insalubres.  No caso do Rio de Janeiro, que após 1850 detinha a hegemonia quase absoluta das exportações brasileiras, surgiram dificuldades no embarque e desembarque de mercadorias, mas a própria geografia da cidade facilitava o surgimento de novos trapiches e armazéns, mascarando o colapso do setor".
(Ver Cezar Teixeira Honorato. O Estado imperial e a modernização portuária.  In: História Econômica da Independência e do Império/orgs. Tamás Szmrecsányi e José Roberto do Amaral Lapa.  São Paulo: Hucitec; ABPHE; EdUSP; Imprensa Oficial, 2002, p. 167)  

8-As políticas públicas de Educação no Império foram catastróficas.  O historiador monarquista José Murilo de Carvalho admite, com base nos dados do Censo Nacional de 1872, que dos jovens entre seis e quinze anos apenas 16,85% frequentavam a escola naquele ano.  Menos de doze mil estavam matriculados em cursos secundários, quando o total da população livre se aproximava de 8,5 milhões. O ensino superior ficou limitado a um punhado de instituições, como as escolas de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro, as faculdades de Direito de Olinda-Recife e São Paulo, as de Farmácia e de Engenharia de Minas e a Escola Militar do Rio Grande do Sul.
(Ver José Murilo de Carvalho.  A construção da ordem: a elite política imperial.  Teatro de sombras: a política imperial.  Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 80 a 82)        

9-Autoridades de todos os níveis lançavam mão do recrutamento como castigo aplicado aos pobres que contrariavam seus interesses.  Claudete Dias descreve que no Piauí a arraia-miúda que formava a massa de votantes dos opositores do barão da Parnaíba, no fim do Período Regencial, estava sujeita à captura e remessa  em navios mercantes para o Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, em condições tais que um escritor local definiu estes destinos como "os matadouros do Sul".  Durante a Guerra do Paraguai, quando escassearam os voluntários, o governo central empreendeu uma verdadeira caçada humana, levando muitos indivíduos a se declararem adeptos do Partido Liberal, então no poder, para escapar do envio aos campos de batalha.  Francisco Doratioto descobriu que em São Paulo, somente em 1865, 168 homens pagaram a elevada quantia de 600$000 (seiscentos mil-réis) por uma dispensa do serviço militar. 
(Ver Claudete Maria Miranda Dias.  Balaios e bem-te-vis: a guerrilha sertaneja.  Teresina: Instituto Dom Barreto, 2002, p. 124 a 127 e Francisco Doratioto.  Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 265-265)


       Estejam, como sempre, inteiramente à vontade para divulgar e compartilhar.  Toda desmistificação do conservadorismo é válida e necessária.    




                

100 comentários:

  1. REPUBLICANOS e suas campanhas antimonárquicas Fazem isto desde 1870 e NÃO DEU EM NADA esta tal república que pública nunca teve nada AFF

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  2. Isto é tudo que você tem a dizer em defesa dos tempos áureos de D. Caju Banana?

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  3. Não sei de onde o senhor tira estas histórias. Se o governo era tão rascista, por quê a primeira sinagoga foi construida nesta época? Não sei como alguém assim pode chergar a ser professor.

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    1. O que eu acho é que o Sr. Companhia de Turismo nem sabe do que está falando. Ou veio só dizer onde a excursão vai "chergar"?

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  4. Tecnicamente, você está errado: Maurício de Nassau permitiu o funcionamento de sinagogas em Pernambuco já no século XVII. Agora me responda: racismo e discriminação religiosa são a mesma coisa? Antes de perguntar se posso ser professor, deve se perguntar se faz jus a um diploma de Ensino Fundamental. Passe uns seis meses no Programa Brasil Alfabetizado e aprenda a escrever "racista" e "chegar" antes de torrar minha escassa paciência!

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  5. E é tudo isso que você tem a dizer em defesa dessa Ré-Pública das bananas, atacar a monarquia de uma forma estúpida, Sr. Gustavo Moreira. Uma republica imposta via golpe, que nunca cumpriu nem 1/4 do que prometerá a população na época, que de uma má cópia dos EUA, que está transformando o Brasil em uma Venezuela. Você com certeza deve preferir lulálá (dos Quarenta ladrões, conhecido popularmente como Mensalão) e companhia, ferrando com o país aumentando a dívida interna e externa chegar as alturas, chamando médicos cubanos sabe-se lá pra que. E o senhor tome cuidado ou pode estar sofrendo do Mal de Marx.

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    1. Registro de entrada que o meu "ataque" se deu sob a forma de argumentos e foi você quem entrou no meu blog no estilo equino. É certo que a república, tecnicamente, foi um golpe, dado contra outro regime cuja legitimidade era baixa. Ou você acredita que D. Pedro I foi imperador "por livre aclamação dos povos"? Quer algo mais grotesco do que fazer uma "independência" mantendo a dinastia da metrópole com a qual teoricamente se desejava romper? Por falar em preferência, e pelo reacionarismo que veio vomitar aqui, você deve sonhar com a volta do tempo em que a mão de obra sequer podia usar sapatos, que os pobres morriam amontoados nas Santas Casas e depois tinham seus corpos jogados em valas comuns, que os governos provinciais destacavam tropas para decidir eleições, e muitos etc.

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    2. tu então não conheces as filas do sus e os hospitais da rede publica de saúde pois se conhece-se não abriria a tua boca suja pra falar mal da monarquia brasileira.
      E mais porque sempre que es criticado tu desvia o assunto.
      Vens aqui falar em eleições quando tua republica fez um plebiscito + de 100 anos depois de ter dado o golpe, e nem sequer cumpriu o que estava dito na constituição de 88 , usando de todas os meios possíveis pra se favorecer.

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  6. "O senado era vitalício!" = crime
    Boa argumentação, kamarada!

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  7. Bom certamente havia limitações que tornavam a nossa Monarquia um regime com liberdade limitada e uma democracia ainda embrional ,mesmo assim a situação do Brasil de então não era diferente ou pior que de nossos vizinhos ,em geral não há grande diferença no mundo inteiro, eram poucos os exemplos melhores a ser seguidos. Outra triste constatação... aqueles que derrubaram o Império , tirando uns ingênuos idealistas positivistas que na verdade foram redondamente enganados e usados pela elite reacionária, assim como algumas altas patentes do exercito para dar brilho ao golpe de 1889, os outros eram uns vigaristas incompetentes e autoritários que fizeram com que nosso processo em busca de emancipação democracia e liberdade cristalizasse por muito tempo. Independência E.U.A. 1776 , fim da escravidão 1866 = 90 anos e ainda por cima uma guerra fratricida, Independência Brasil 1822 fim da escravidão 1888 = 66 anos, um processo que demorou menos e que apenas custou o trono a Princesa Isabel...as vezes óticas diferentes ajudam a entender. Na verdade trocamos meia duzia de problemas para ficar com doze!

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    1. À Locanda (as respostas estão saindo da ordem):

      Considere que:
      .Só um em cada 400 brasileiros, e isto já perto do fim da monarquia, votava para deputado ou senador.
      .Libertos tinham sua atuação eleitoral limitada ao nível da paróquia.
      .O imperador, com base em seus gostos e opiniões, poderia preterir os dois mais votados numa eleição para senador e nomear o terceiro.
      .O mesmo imperador também poderia, como em 1868, dissolver o parlamento e chamar para formar o governo uma facção eleitoral praticamente sem representação na Assembleia.
      .Os presidentes de província não eram autoridades eleitas, e embora fossem meros funcionários transitórios tinham poder para nomear os delegados e subdelegados que decidiriam as eleições no tiro e no porrete em benefício do seu partido.
      Não havia "democracia embrional". A falta de democracia era absoluta.

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    2. Ainda para a Locanda:

      Perdoe-me as maneiras rudes, mas a verdadeira ingenuidade que fica exposta é a sua, quando vê a apropriação do país por uma elite de reacionários picaretas em 1889. Deodoro, Floriano, Campos Sales, Prudente de Moraes, Rodrigues Alves e centenas de outros que poderíamos listar aqui eram homens perfeitamente integrados ao sistema político do Império até as vésperas do 15 de novembro. Eles alijaram de fato os republicanos doutrinários do poder e retiveram muito das estruturas sociais do regime defunto. Os defeitos da República Velha, com rara exceção, são prolongamentos dos defeitos do Império.
      Sobre a comparação entre Brasil e EUA, sugiro que deixe o romantismo de lado e considere:
      Morreram, de fato, cerca de 600 mil pessoas na guerra civil americana. Mas tente imaginar quantos escravos africanos e brasileiros morreram entre 1822 e 1888 EM DECORRÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE VIDA NA ESCRAVIDÃO. Subnutrição, doenças infecciosas contraídas pela falta do uso de sapatos, óbitos prematuros por jornadas de trabalho excessivas, torturas e castigos fatais em alguns casos. Boris Fausto aponta uma expectativa média de vida de 27 anos para a população brasileira em geral e 18 para a população escrava. Aplique as cifras, digamos, aos 2,5 milhões de cativos de 1850. Lembre-se ainda de que o desfecho da Guerra de Secessão contribuiu para incluir a questão servil nos debates parlamentares e nas Falas do Trono. A questão do "se" é particularmente tola em História, mas caso não acontecesse aquele conflito, seria aceitável chegar ao século XXI com escravos? Postergar o fim do cativeiro para 1930, como pensaram alguns na época dos debates sobre o Ventre Livre?

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    3. Na verdade, Locanda, a liberdade de expressão era absoluta.Os direitos políticos e civis eram respeitados e havia, de fato, um inicio de democracia, ao contrário do que o Gustavo acredita. Até 1881, ano da Lei Saraiva, 13% dos brasileiros podiam votar, 1 milhão de pessoas, segundo José Murilo de Carvalho, que, ao contrário do que o Gustavo acredita, não é monarquista.
      A Lei Saraiva cometeu o grande erro de proibir o voto dos analfabetos, excluindo 80% da população do direito ao voto, mas por outro lado moralizou bastante as eleições, diminuindo a influência do governo e torando a Câmara mais livre.

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    4. Continuo, com efeito, a não visualizar democracia num sistema político que:

      .Estabelecia em pleno ano de 1875 que só 1 entre 400 habitantes tinha o direito de votar em deputados e senadores.
      .Autoridades da Polícia e da Guarda Nacional, por vezes a própria tropa de linha, intervinham para decidir eleições.
      .O chefe de Estado podia demitir o presidente do Conselho de Ministros, membro do partido majoritário no parlamento, e chamar um líder do partido contrário, virtualmente sem votos, para compor um novo governo.
      .O cidadão nascido escravo, além de suportar todas as mazelas sociais decorrentes de sua antiga condição, ainda ficava formalmente excluído do direito de votar e ser votado nos níveis mais elevados.

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    5. Gustavo, por várias vezes o governo reformou o processo eleitoral, sendo que a Lei Saraiva (sim, de novo ela)instituiu a eleição direta, acabando com a balbúrdia e violência na hora do voto. O eleitorado estava mais livre, assim como a representação dos partidos. O governo já não tinha tanta influência sobre o processo. O ponto negativo, entretanto, foi a exclusão dos analfabetos. Em 1889, o visconde de Ouro Preto teria acabado de vez com o voto censitário. Isso pode não significar nada para você, mas verdadeiramente existiu um constante progresso até o fim da Monarquia, em todos os sentidos. De reforma em reforma, adequando-se aos tempos, o Império do Brasil teria continuado até hoje, não fosse o golpe rasteiro de 15 de novembro.
      D. Pedro II não tomava a iniciativa de demitir os primeiros-ministros, eram eles que pediam demissão por não contarem mais com o apoio da Câmara. Muitas vezes eles indicavam um sucessor do mesmo partido, mas quando não indicavam o Imperador tinha que se virar para encontrar quem se dispusesse a formar gabinete.
      Na Constituição de 1824, Gustavo, está escrito que qualquer cidadão poderia ocupar cargos públicos no Estado, independente de qualquer coisa, como a cor da pele, por exemplo. Tanto é que tivemos vários afrodescendentes ocupando cargos de prestígio, inclusive o barão de Cotegipe, que era mulato e chegou a ser primeiro-ministro.

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    6. Não sei pq está batendo tanto nessa tecla. Simplesmente não faz muito sentido. Você simplesmente está fazendo um reducionismo tremendo. Aparentemente, você está confundindo as figuras dos "votantes" com a dos "eleitores", o que seria um erro crasso. No Brasil Imperial, em especial depois da Lei Saraiva (1881 se a memória não me falha), havia uma clara distinção entre os dois papéis. Mas isso não era exclusividade do Brasil: apenas copiamos o modelo francês, que diga-se de passagem era republicano. Os votantes escolhiam os eleitores, e os eleitores escolhiam os candidatos.

      Mas pq era assim?

      Simples. Os países que usavam esse modelo francês viam que era impraticável juntar todos os votantes em um lugar só para apontar os candidatos. Por que? Pela dificuldade de locomoção, tempo disponível, falta de recursos,... Era muito difícil juntar os 1.089.659 (FAORO 1975) votantes do Brasil (mais ou menos uns 11% da população do país da época) no Parlamento para escolher os deputados. Especialmente porque muitos deles não se interessariam/poderiam em fazer essa viagem.
      Faziam o que? Os votantes escolhiam as pessoas que os representariam nessa escolha. E essas pessoas que representariam os votantes são chamados de Eleitores. Na França dessa época, a distinção é que se chamavam de eleitores de primeiro e de segundo grau, mas a essência é a mesma.

      O Brasil era um dos poucos países do mundo nessa época que possibilitavam que mais de 10% da população participasse de eleições (acho que, fora ele, só a França, os Estados Unidos, a Suíça e a Dinamarca o permitiam), o que por sí só muda bastant eo panorama que você tratou aí na sua análise.

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    7. Minha pesquisa de doutorado em curso é justamente sobre as reformas eleitorais de 1855, 60 e 75. Não compartilho do seu otimismo retrospectivo: elas se deram numa conjuntura em que quase todos os países europeus, tirando apenas os que tinham governos assumidamente autocráticos, diminuíram as franquias eleitorais. Alguns, como a França, experimentaram o sufrágio universal. Por outro lado, no Brasil, os eleitores "por cada cem fogos" de 1824 praticamente equivaliam ao sistema 1 para 400 de 1875.
      Registro mais uma vez a ingenuidade do seu discurso quando insinua que o país se curvaria às diretrizes de salvação de um bem intencionado Ouro Preto. Veja, por exemplo, quanto tempo traficantes e compradores de escravos levaram para se conformar ao fim do tráfico antes de afirmar que o voto censitário acabaria num passe de mágica.
      Por mais que se esforce no seu contorcionismo, a doce fábula jamais vai explicar, ficando em um único caso, a nomeação de Itaboraí em 1868. Nem uma criança acreditaria que faltavam de todo liberais ou conservadores ligueiros para substituí-lo.
      O exemplo de Cotegipe como "mulato de sucesso" está totalmente fora de contexto: em primeiro lugar, eu falei de restrições aos libertos, não de leis raciais; em segundo, Cotegipe se julgava branco e deu inúmeras provas de racismo contra os negros.

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  8. O senhor deveria começar a estudar mais historia. O Brasil da época de Dom Pedro II foi o único país sulamericano en que havia liberdade de expressão, respeito aos direitos civis e um crecimento econômico constante. Com ele o Brasil foi vitorioso em 3 guerras, e ele foi respeitado por muitos estudiosos (coisa que o senhor não é): Graham Bell, Charles Darwin, Victor Hugo entre outros. A e cabe dizer também que a maior parte da população estava em contra a mudança de governo. Assim que faça o favor para o Brasil, devolva o seu diploma e volta a estudar história outra vez.

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    1. Por razões que desconheço, a resposta caiu bem mais abaixo.

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  9. Apesar da Religião oficial, houve liberdade para as sociedades bíblicas (britânica e americana) para distribuição das Bíblias no Brasil, sendo o próprio imperador Pedro II presenteado com um exemplar, além de manter contato com vários representantes dessas sociedades. Além disso, as igrejas poderiam se reunir em locais não identificados como templos, o que era mais que em alguns países da Europa onde sequer era permitido professar outra fé que não a Oficial. E no Brasil, a perseguição (não oficial) às denominações protestantes alcançou praticamente a metade do século XX, onde em muito locais os cultos tinham que ser feitos sob proteção policial. Então, em muitos casos, a questão cultural prevaleceu á questão Oficial.

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    1. Você pode afirmar com acerto, por exemplo, que ninguém construiria uma sinagoga ou uma mesquita na Espanha do século XIX. Por outro lado, as igrejas ortodoxas funcionavam na parte europeia do Império Otomano, que não costuma ser citado como exemplo de democracia ou de tolerância social. Em muitos países do centro e do norte do continente também conviviam templos de várias confissões. Mas o que devo ressaltar, além do óbvio aspecto discriminatório, é que o Brasil tinha uma Constituição liberal, uma classe política que se julgava representante de uma determinada tradição iluminista, e ao mesmo tempo mantinha o padroado do império português!

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  10. É legal você levantar um monte de problemas do Brasil império, mas que tal traçar um paralelo com os avanços(?) republicanos da época da República Velha?

    Porque se for só pra apontar defeitos, não é difícil deslegitimar qualquer dos nossos governos de 1500 pra cá.

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    1. Deixando claro que eu nunca faria uma apologia à República Velha, considere o seguinte:

      .Foi abolido o voto censitário.
      .O Senado deixou de ser vitalício.
      .Ampliou-se a liberdade de culto e o Estado parou de subsidiar um culto oficial.
      .O processo de industrialização foi retomado para não mais ser interrompido.
      .Foram extintos de vez, sob a pressão de um movimento popular, os castigos corporais na Marinha.
      .A capital do país e outras cidades, como Santos, foram saneadas, mesmo que de forma truculenta e sem reconhecer direitos básicos do povo. Deixaram de ocorrer as medonhas epidemias de febre que matavam centenas ou milhares no reinado de Pedro II.
      Meio no improviso, podemos começar assim.

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  11. PRIMEIRO ITEM: É verdade que nunca existiu eleição para os presidentes de província (governadores), mas teria existido a partir da reforma do visconde de Ouro Preto, que foi abortada pelo golpe militar. O visconde planejou amplas reformas para calar a boca dos republicanos e esvaziar seu discurso, salvando a Monarquia;
    SEGUNDO ITEM: Até 1881, ano da Lei Saraiva, 1 milhão de pessoas (uns 13% da população, segundo José Murilo, que não é monarquista,para o seu governo)votavam, pois a renda, 100 mil réis, era muito baixa e grande parte da população a possuía. Além de o voto ser estendido aos analfabetos. Em parte, a Lei Saraiva foi um erro, pois cassou o voto dos analfabetos; mas em parte foi boa, pois moralizou as eleições;
    TERCEIRO ITEM: O fato de haver uma Igreja oficial não era realmente o ideal, mas as outras religiões não eram proibidas, mesmo que seus templos não pudessem ser acintosos. As religiões de matriz africana? Eram pela lei permitidas, posto que domésticas,mas eram perseguidas ILEGALMENTE pela polícia. Novamente: o gabinete Ouro Preto planejava a separação Igreja-Estado e instituir a tolerância religiosa plena;
    QUARTO ITEM: Não desmerece em nada a defesa que fazemos da Monarquia. Quando o Brasil saiu do turbulento e ''republicano'' período regencial, a Coroa impulsionou o combate ao tráfico e à escravidão;
    QUINTO ITEM: Os nossos senadores eram homens honestíssimos e servidores de seu país, principalmente o visconde de Sinimbu, que você citou, que recusou uma gorda pensão do Governo Provisório e morreu quase centenário e na miséria. Novamente: o gabinete Ouro Preto tencionava pôr fim à vitaliciedade do Senado;
    SEXTO ITEM: Problemas que a República não resolveu até hoje. Tivéssemos nós permanecido com a Monarquia e seu governo de gabinetes, os problemas do país seriam mais facilmente resolvidos, a longo prazo e com constância. Não na turbulência de uma República presidencial autoritária;
    SÉTIMO ITEM: A mesma resposta para o item anterior;
    OITAVO ITEM: Repito: José Murilo de Carvalho não é monarquista. Mas veja o outro lado da moeda, pois d.Pedro II, a quem você tanto despreza, foi o maior incentivador das artes e das ciências em seu tempo, no Brasil e no exterior. O mínimo que foi feito na área educacional naquela época, e o mínimo já foi bastante coisa, foi graças a ele;
    NONO ITEM: É verdade que o nosso Exército era bastante indisciplinado e mal formado, tanto que esta indisciplina foi uma das causas da queda do Império. Mas veja que não foi o Brasil que provocou a Guerra do Paraguai, nem tínhamos condições para uma guerra, como você pôde notar.

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    1. Ao Gabriel Carvalho, no mesmo sistema:
      PRIMEIRO ITEM: Seu texto já começa com um tiro no próprio pé quando se insinua que Ouro Preto apresentou um programa de reformas "para calar a boca dos republicanos". Ou seja: "não é nossa verdadeira vontade política, mas uma questão de sobrevivência do regime"! Admitamos que fosse verdade, que Ouro Preto de fato empreendesse eleições diretas por convicção doutrinária: isto não apaga o fato de que por mais de seis décadas não houve!
      SEGUNDO ITEM: Releia o que de fato eu afirmei: bem menos de 1% tinham o direito de votar para deputado provincial, deputado geral e senador. Contestações?
      TERCEIRO ITEM: Veja o seu próprio jargão: templos de outra religião seriam "acintosos"?! Quanto às religiões de matriz africana, as coisas eram mais complexas do que você quer crer. Leia, por exemplo, sobre o episódio do Candomblé do Accú no livro do João José Reis, Negociação e conflito, e perceba que o texto constitucional poderia ter várias interpretações. Note ainda que das suas linhas está saindo um Império cheio de mazelas que seria salvo por um santo chamado Afonso Celso.
      QUARTO ITEM: Lamento desapontá-lo, mas a Coroa nada fez para deter o espantoso volume do tráfico na década de 1840. Lembre-se também de que antes da lei do Ventre Livre nenhuma legislação restringiu a escravidão preexistente e que a própria família imperial manteve escravos a seu serviço até data bastante avançada do Segundo Reinado.
      QUINTO ITEM: Não vou entrar aqui nos juízos de valor sobre quem foi mais honesto ou mais picareta, mas considere que se fossem poços de honradez os homens públicos do Império não se elegeriam usando os métodos que você conhece tão bem quanto eu. De novo com o Santo Afonso Celso? Que coisa!

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    2. Ainda para o Gabriel Carvalho:
      SEXTO ITEM: Concordo a respeito dos péssimos serviços de infraestrutura que temos hoje. Mas o fato de não haver nem um simulacro dos serviços numa capital quarenta anos depois da fundação de um regime já diz tudo sobre o mesmo.
      SÉTIMO ITEM: O atraso tecnológico dos portos brasileiros de hoje não se compara ao do sistema que foi estudado por Cezar Honorato. Com um agravante: quarenta, cinquenta anos antes um José Bonifácio já dizia que o uso do escravo como máquina de transporte de carga só podia causar raiva ou riso em qualquer expectador minimamente racional.
      OITAVO ITEM: Qualquer historiador que pesquise sobre o Brasil sabe que José Murilo é monarquista. Diga o contrário, se quiser, e não me darei mais ao trabalho de retrucar, até porque o rótulo que venhamos a aplicar nele nada acrescenta à discussão. Sobre os juízos de valor a respeito de Pedro II, eu não consideraria "muito" os 20% de pessoas livres que sabiam ler e escrever em 1872 (sem falar nos 99% de analfabetos entre os escravos). Também não consigo enxergar o grande progresso das ciências no país que continuou dependente de uma agricultura de exportação tecnologicamente atrasada ao longo de 67 anos.
      NONO ITEM: Em nenhum momento enalteci ou justifiquei Solano López ou afirmei que o Exército tinha plenas condições de administrar o conflito sem novos recrutamentos. Mas veja que me refiro a um vício de origem: quantos milhares de jovens que hoje alguns chamariam de "trombadinhas", além de milhares de outros recrutados pelo simples fato de votarem no partido "errado", foram atirados nas forças armadas contra a vontade ao longo de toda a monarquia?

      Discordo de praticamente tudo, mas devo agradecer pelo nível civilizado da sua resposta.

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    3. Gustavo, não seja desonesto! Sabemos que o novo programa do Partido Liberal, do qual Ouro Preto era membro, tinha o sincero objetivo de reformular as instituições da Monarquia. Ouro Preto era um homem competente e sabia que a República seria uma desgraça para o país, como de fato foi e está sendo.E você equivocou-se feio na sua resposta, pois as eleições diretas já existiam desde 1881, Ouro Preto ia acabar com o voto censitário.
      No segundo item ainda tenho contestações, e todas bem documentadas. Leia ''A monarquia brasileira'', de José Murilo (que, repito, não é monarquista) e ''Cidadania no Brasil: o longo caminho''. De fato até 1881, ano da Lei Saraiva, que instituiu as eleições diretas mas proibiu o voto dos analfabetos,votavam no Brasil 13% da população, mais do que nos países europeus e menos do que nos Estados Unidos, onde votavam 18%.
      Templos acintosos são casas com forma exterior de templo, você entendeu muito bem. O texto constitucional poderia ter várias interpretações? Claro que sim! Poucas constituições trazem uma redação tão clara e irrefutável... mas de fato a Constituinte dizia que TODAS as outras religiões seriam toleradas.
      Eu é que lamento desapontá-lo, pois o próprio d. Pedro II libertou todos os 12 escravos que recebera de herança e os pôs a seu serviço, pagando-lhes salário. Ele dava o exemplo, Gustavo! E ainda premiava os senhores que alforriavam seus escravos. D. Pedro II não tinha o poder de legislar, ele não podia fazer decretar o fim da abolição por vontade própria. Vejamos o que diz Cunha Bueno em seu livro ''A morte no exílio'':
      ''Em 1840, o Imperador libertou todos os escravos que herdara.Além disso, tomou emprestado 60 contos de réis, que entregou ao seu mordomo para comprar, anonimamente, um lote de escravos.Em seguida libertou-os e os empregou no serviço da imperial quinta de Santa Cruz, dando-lhes salários mensais, assistência médica e educação dos filhos.'' Agora a parte que diz respeito aos negros utilizados pelo Imperador: ''O Imperador tinha o usufruto de alguns cativos chamados escravos da coroa, dos quais não podia dispor por sua própria vontade, por não serem de sua propriedade particular. Porém, sempre os considerou seus protegidos.Eles recebiam salário mensal, e os filhos frequentavam a escola que fundara para os empregados da imperial quinta de São Cristóvão.''

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    4. Meu caro Gustavo, eu não sou ingênuo de acreditar que a honestidade pública era excessiva e ilimitada na época do Império. É evidente que havia corrupção, mas uma corrupção sob controle, pois d.Pedro II estava sempre vigilante. Todos os historiadores são unânimes (e não se trata de uma unanimidade burra)em dizer que d.Pedro II era de fato honesto e que inoculava essa honestidade nos homens públicos, sobretudo nos ministros de Estado. Lima Barreto dizia que os políticos do Império perseguiam mais a fama e o renome do que os ''proventos da indústria política''. Rui Barbosa, que acreditara na República, disse o mesmo. Já leu seus discursos amargurados? Pois é. A corrupção era a exceção, não a regra. Por mais que você fale dos viscondes, marqueses e barões,como você escreveu em seu texto, a corrupção era a exceção. Para terminar,vale citar um trecho do livro ''Instituições políticas do Império'',de Tavares de Lyra, em que ele diz assim sobre os nossos primeiros-ministros: ''Todos foram homens honestos, íntegros,patriotas, devotados ao bem público e incondicionais servidores do seu país.''

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    5. Não, Gustavo, José Murilo não se julga monarquista. Se ele assim parece é porque enxerga pontos positivos no Império. Eu também enxergo, mas a diferença é que eu sou, sim, monarquista.
      Gustavo, devo reafirmar que os analfabetos podiam votar até 1881, não importando, nesse sentido, se em 1872 apenas 20% sabiam ler e escrever. O fato é que os analfabetos podiam votar, o que poucos países permitiam.
      Gustavo, repito que o pouco que se fez na área educacional do Império foi graças a d.Pedro II, preocupado como sempre com a educação pública. Leia o livro ''D. Pedro II e os judeus'', de Sonia Salles, por exemplo.

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    6. Insisto em dizer: sou eu quem realmente lamenta. Veja esta citação do livro de Luís Carlos Soares, O “povo de Cam” na capital do Brasil: a escravidão urbana no Rio de Janeiro do Século XIX, p. 96.


      Se muitos cativos das famílias abastadas já se consideravam como membros de uma reduzida elite de escravos, os escravos da nação que serviam à Família Imperial provavelmente se sentiam como a nata desta “elite” cativa. Era o que relatava François Biard, em 1862, na ocasião em que pintou o retrato do Imperador D. Pedro II. Este pintor teve a necessidade de um escravo para transportar um manequim para o Palácio da Quinta da Boa Vista e requisitou um dos que serviam à Família Imperial. Qual não foi a sua surpresa quando os cativos do Palácio se recusaram a fazer o carreto do manequim e, nas suas próprias palavras, “arranjaram um carregador tão preto quanto eles, mas de categoria social inferior”.

      Só mesmo um monarquista fanático para achar que D. Pedro II nunca fez uso de escravos após ser coroado. Mas não vou te chamar de desonesto. Apenas darei vazão ao impulso arrogante de deixar um conselho: eleve o seu nível de leitura para além de panegiristas de quinta categoria como Cunha Bueno. Só não venha com jogos de palavras infantis, como o de dizer que escravos do Estado postos a serviço da Família Imperial não são escravos da Família Imperial!!!

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    7. Querelas factuais à parte, você prossegue na postura viciada de atribuir a homens iluminados o poder de corrigir os maus e de sanar as mazelas. Ora é D. Pedro II, ora Ouro Preto. Mas cai em contradição logo em seguida, ao afirmar que o imperador não poderia impor uma política abolicionista de cima para baixo. Contradição dupla, pois sabemos que, como ocorreu em 1868, D. Pedro II era capaz de manobras temerárias como a de convocar para formar o gabinete o chefe de uma facção sem votos naquela conjuntura e praticamente banida do parlamento.
      Na ocasião, como é notório, ele destruiu a pouca credibilidade que restava ao sistema político do Império e amargou vinte anos de crises variadas até o desfecho demorado mas inevitável: a República.

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    8. Monarquista fanático? E não seria você um esquerdista fanático? Fanatismo por fanatismo, estamos quites! Releia o que Cunha Bueno escreveu e eu transcrevi acima, por favor. Os escravos eram da Coroa, não de propriedade particular do Imperador. Logo, ele não podia alforriá-los. O máximo que pôde fazer foi empregá-los no serviço da Quinta de São Cristóvão. Se não compreende isso, paciência...

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    9. Engana-se você se pensa que eu não tenho um bom nível de leitura sobre o Império. Eis os livros que tenho:

      Ideias e instituições no Império: influências francesas. Otacílio Alecrim;
      Crise na República: 100 anos depois: Primeiro ou Quarto Mundo? Helio Jaguaribe;
      Rio de Janeiro: a vida da cidade refletida nos jornais. Delso Renault;
      O Império das províncias: Rio de Janeiro, 1822, 1889.Maria de Fátima Silva Gouvêa;
      Império e missão: um novo monarquismo brasileiro. Teresa Malatian;
      A escravidão no Império. Brasil Gérson;
      Monarquia: só o cetro imperial salvará o Brasil.Nhambicahy Carajaté Amorim;
      O Brasil no tempo de dom Pedro II. Frédéric Mauro;
      O Império Brasileiro (1822-1889). Oliveira Lima;
      Escravidão e cidadania no Brasil monárquico.Hebe Maria Mattos;
      Republicanos e libertários: pensadores radicais no Rio de Janeiro(1822).Renato Lopes Leite;
      Revivendo o Brasil-Império. Leopoldo Bibiano Xavier;
      A ilusão americana. Eduardo Prado;
      D. Pedro I. Isabel Lustosa;
      Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. José Murilo de Carvalho;
      Dona Leopoldina: uma Habsburgo no trono brasileiro.Gloria Kaiser;
      Os subversivos da República.Maria de Lourdes Mônaco Janotti;
      Instituições políticas do Império. Tavares de Lyra;
      De olho em d.Pedro II e seu reino tropical. Lilia Moritz Schwarcz;
      José Bonifácio. Miriam Dolhnikoff;
      As quatro coroas de d.Pedro I. Sérgio Corrêa da Costa;
      Teatro das sombras: a política imperial. José Murilo de Carvalho;
      D. Pedro II. José Murilo de Carvalho;
      A abolição no Parlamento: 65 anos de lutas. 2 volumes. Senado Federal;
      Fastos da ditadura militar no Brasil. Eduardo Prado;
      D. Pedro II e o seu mundo através da caricatura. Araken Távora;
      O sistema político do Império. Brasil Gérson;
      A Monarquia brasileira. José Murilo de Carvalho;
      Às armas, cidadãos! Panfletos manuscritos na independência do Brasil (1820-1823). José Murilo de Carvalho, Lúcia Bastos, Marcello Basile;
      A construção nacional (1830-1889). José Murilo de Carvalho;
      Domingos Sodré, um sacerdote africano: escravidão, liberdade e candomblé na Bahia do século XIX. João José Reis;
      Crise colonial e independência (1808-1830).Alberto da Costa e Silva;
      Da Monarquia à República: momentos decisivos.Emília Viotti da Costa;
      Carlota Joaquina na corte do Brasil. Francisca Nogueira de Azevedo;
      O Abolicionismo.Joaquim Nabuco;
      O Parlamento e a evolução nacional: introdução histórica.José Honório Rodrigues;
      A Monarquia & a República: aspectos das relações entre Brasil e Estados Unidos durante o Império.Marcelo Rafaelli;
      O Conselho de Estado e a Política Externa do Império: Consultas da Seção dos Negócios Estrangeiros- 1858-1862;
      A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. José Murilo de Carvalho;
      Barões e escravidão: três gerações de fazendeiros e a crise da estrutura escravista. Eduardo Silva;
      A morte no exílio. Cunha Bueno;
      D. Pedro II e seus amigos judeus. Sonia Sales;
      História social do Brasil: espírito da sociedade imperial.Pedro Calmon;
      Joaquim Nabuco essencial. Evaldo Cabral de Melo;
      AS barbas do imperador: d.Pedro II, um monarca nos trópicos. Lilia Moritz Schwarcz;
      Escravidão e leis no Brasil: aproximações jurídico-históricas. Ibsen Noronha;
      D. Isabel I a Redentora: textos e documentos sobre a Imperatiz exilada do Brasil em seus 160 anos de nascimento.Bruno da Silva Antunes de Cerqueira;
      O Evangelho do barão: Rio Branco e a identidade brasileira.Luís Cláudio Villafañe G. Santos;
      O patriarca e o bacharel. Luís Martins;
      Porque continuo a ser monarquista. Joaquim Nabuco.

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    10. Eu acho que você entendeu, mas finge que não. D. Pedro II não podia LEGISLAR, não podia ele próprio decretar a abolição. Eu não me contradisse. A verdade é que ele levou ao poder os gabinetes que se comprometessem a tentar alguma coisa em favor dos escravos. Foi a Coroa que levou a abolição para a frente, estava na vanguarda. O bom de tudo isso é que os políticos sempre criticaram o Imperador, ora pela sua intervenção na política, ora por não intervir demais.Nunca estavam satisfeitos, vociferavam contra o ''poder pessoal'', mas amargaram a ditadura republicana instalada em 15 de novembro de 1889.

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    11. Quando empreguei a expressão "fanático", não quis depreciar a firmeza de convicções, mas sim o uso de argumentos apelativos para estender a discussão. Mas deixemos de lado a atribuição recíproca de rótulos. Sou obrigado a decepcioná-lo mais uma vez:

      O tenente-coronel Francisco José Cardoso Júnior, presidente de Mato Grosso em 1872, alforriou gratuitamente naquele ano 42 escravos de propriedade estatal:

      http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/423/000131.html

      Conheço o caso meio por acidente, visto ser o dito oficial meu trisavô, mas creio que não seja difícil encontrar episódios semelhantes. Se um mero funcionário nomeado, sem vínculos maiores com a província, tinha a possibilidade de adotar este tipo de iniciativa, quem se atreveria a enfrentar o imperador se este alforriasse de uma penada a escravaria do Paço? Como um chefe de Estado tido por tão abolicionista por seus fãs pôde fazer uso de mão de obra escrava durante mais de trinta anos?

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  12. Ei gustavo ja vu a nova obra do Narloch ''guia politicamente incorreto da historia do mundo'' o couteudo é previsivel mas da uma olhada na sinopce:

    ´´Cintos de castidade na idade Média? Eles nunca existiram – pelo contrário, manuais de medicina da época diziam que o prazer sexual era essencial à saúde das mulheres. Milhares de crianças foram exploradas nas fábricas inglesas do século 19? Está certo, mas é interessante lembrar que a revolução industrial, pela primeira vez, tornou o trabalho infantil desnecessário. E lembra aquela história de que as guerras e a miséria na África são consequência das fronteiras artificiais criadas pelos europeus? Há quase 30 anos historiadores e economistas africanos deixaram de acreditar nela abaixo da superfície, a história não é tão simples quanto aquele professor militante costumava nos ensinar. Depois do sucesso do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil e do Guia Politicamente Incorreto da América Latina é hora de finalizar o trabalho. É hora de jogar tomates nos equívocos sobre a história do mundo.´´

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    1. Nunca vi um lobby tão grande em cima de uma obra tão medíocre. O cara aparentemente tem uma multidão de divulgadores gratuitos e só falta reclamarem que os livros do Narloch não constam da bibliografia de concursos públicos!

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  13. Seria bom que nossa "esquerda" parasse de tentar atacar Versailles e Tsarko Sello a partir de Petrópolis... O Brasil nunca foi uma monarquia absolutista e era respeitada por sua estabilidade política - em comparação às republiquetas "revolucionárias" fronteiriças - tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

    1) O Brasil era um país agrícola, em construção, com enormes potencias;

    2) A Coroa não era detentora - nem queria ser - do Poder Executivo, logo a maioria das acusações deve ser dirigida aos gabinetes da época;

    3) Muitos dos avanços hoje exigidos após 124 anos de ré-pública estavam em gestação e encaminhados durante o II Reinado, entre eles as primeira universidades brasileiras (a USP foi a primeira, já no governo Vargas, décadas depois do golpe); os investimentos em ciência e tecnologia eram outro avanço que foi abandonado (a FIOCRUZ era internacionalmente conhecida e tanto Oswaldo Cruz quanto Vital Brazil tinham apoio da Coroa para desenvolverem suas pesquisas, que foram laureadas com vários prêmios na Europa e nos EEUU)...

    ..enfim, o que o senhor escreve é um amontoado de bazofias criadas por dados avulsos pinçados de alguns livros (alguns sérios e honestos, outros nem tanto)

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    1. Inicialmente peço desculpas pela demora na publicação. Mesmo descartando os chiliques, os xingamentos e as falas sem pé nem cabeça de muitos que aparecem, é difícil responder a tudo.

      1)Em nenhum momento escrevi que o Brasil monárquico era "absolutista", o que não me impede de perceber que possuía muitas deficiências visíveis mesmo a partir das "republiquetas" do entorno, como a manutenção da escravidão bem além de qualquer uma delas, além do pífio desempenho educacional, sobretudo na comparação com as nações platinas. Não se esqueça também de que a decantada estabilidade não foi fruto de algum "consenso nacional"; ela veio após a violentíssima repressão de movimentos como a Cabanagem, a Sabinada, a Balaiada e a Revolução Praieira. Na verdade, eu não chamaria de estável um regime cujos gabinetes duravam em média menos de um ano e meio. Penso inclusive que o visconde do Uruguai estava certo ao dizer que o parlamentarismo era uma cloaca que favorecia os ambiciosos e espertalhões.

      2)Descrever o país como um celeiro de grande potencial é, academicamente falando, besteira. A não ser que você prove que a República deixou os cafezais a míngua, o que te renderia uma tese de História das mais revolucionárias. O certo é que enquanto o surto industrial do Império naufragou por completo, o republicano, com todas as críticas que pode merecer, foi em frente.

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  14. Tá mais pra sua escassa inteligência

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    1. Conseguiu juntar seis palavras! Parabéns, vai ganhar um baronato de D. Pedro III!

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  15. "Crecimento"? "Estava em contra"? "Sulamericano"? Combinemos assim: eu devolvo o diploma de historiador e você devolve o certificado de alfabetização. Já estou surpreso com algo cuja existência ignorava: um círculo de monarquistas analfabetos! Como gosta de guerras, que tal começar lembrando que logo no Primeiro Reinado houve a derrota na Cisplatina e que o lamentável Pedro I ficou sem saber o que fazer com os mercenários alemães e irlandeses, ao ponto de mais tarde capoeiras serem atiçados para matar os "escravos brancos"? Graham Bell era amiguinho de Pedro II? Pode ser, mas os dirigentes escravocratas do sul dos EUA também adoravam o Império, a ponto de vê-lo como um destino alternativo caso a escravidão acabasse no seu país. Finalizando: se não houve a menor resistência ao 15 de novembro, como sabe que o povo estava "em contra"? Fez pesquisa psicográfica?

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  16. Este comentário foi removido pelo autor.

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  17. Popularidade baixa? Sinceramente o Primeiro Reinado e o Segundo são bem diferentes, tão baixa a popularidade que os republicanos com medo da reação do povo mandaram Dom Pedro II para o exílio na surdina.

    Façamos o seguinte vamos enumerar a Republica como você fez citando a monarquia, pode ter certeza que o peso republicano vai ser maior, que democracia ocorreu na república velha? na era Vargas? O Brasil de 1889 foi pior em vários aspectos, a falta de moralidade dos políticos, a classe politica se beneficiando do dinheiro público isso não conta? é a mesma coisa quando escuto alguns ignorantes dizer o Brasil foi o ultimo a abolir a escravidão o Brasil surgiu como nação em 1822, no período colonial era responsabilidade portuguesa, com relação a independência do Brasil, se as cortes portuguesas não tivessem a idéia de diminuir o Brasil a colonia novamente, talvez nem teríamos a independência em 1822, O Brasil já fazia parte do Reino Unido com Portugal e Algarves e todos levantes aqui, não passavam de ideias de repúblicas separadas, O que seria a Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul? pequenas repúblicas? pensaram no Brasil ou criar um país a parte? O Império do Brasil diante dos seus vizinhos vivia sim um regime democrático para a época até mesmo os vizinhos sul americanos percebiam bem isso!! Não adianta que a memória de Dom Pedro II não vai ser manchada por tamanhas calúnias sem fundamentos, ele viveu pelo Brasil morreu pensando no Brasil!! O que mais me surpreende é que o senhor faz observações de problemas socias, urbanos, políticos do império, faça um balanço na república!! durante o segundo reinado o parlamento tinha maiores poderes e todos sabem disso, aqui não tínhamos uma monarquia absolutista de certo Pedro I era autoritário , partiu e deixou seu filho que não tinha essa visão, a partir de 1862 o parlamento ganhou maiores poderes, Monarquia Constitucional Parlamentarista é isso!!

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    1. Vejo de entrada o péssimo vício de tentar construir uma análise criando hipóteses sobre hipóteses.
      "O que seria do Brasil sem a família real e as cortes?" Posso imaginar que seria bem melhor, pela ação de algum movimento que atacasse diretamente e sem trégua a escravidão, os preconceitos aristocráticos, a hierarquia racial herdada da colônia. Como também posso imaginar que a Santa Aliança mandaria uma força-tarefa para ajudar Portugal a esmagar um movimento com essas características, não importando quantas pessoas fosse necessário matar.
      Vejo também que o seu conceito de democracia é dos mais pobres, a não ser que o objetivo da coisa seja pura e simplesmente trollar. Onde estava a democracia se os eleitores não votavam para NENHUM cargo do Poder Executivo?
      Você não entendeu que o objetivo da postagem não é mostrar que Pedro II era ruinzinho ou bonzinho. Na verdade, a intenção inicial foi a de atacar a direita e não simplesmente o monarquismo.
      Cobranças sobre melhorias na República? Que tal começarmos com o fim do voto censitário e a eleição direta (ainda que viciada) para governadores e presidente?
      Introduzindo o meu "se" na questão: um esnobe Brasil monárquico aceitaria o voto feminino na década de 1930?

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  18. REPÚBLICA VELHA , governo vargas ,golpe de 1964 São todas DITADURAS REPUBLICANAS

    Qualquer avanço que ocorreu de 1889 pra cá NÃO FOI graças á vontade política das elites republicanas e questão de manutenção do regime (que aliás não podia ser criticado até 1988)

    O partido republicano foi contra o aumento do numero de eleitores pq ? GOLPE MILITAR GERA DITADURA

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    1. Houve ditaduras republicanas no Brasil? Sem dúvida. Mas isto não te socorre, pois o Império praticamente já começou como ditadura, quando Pedro I informou à Assembleia que só aceitaria a Constituição "se fosse digna dele" e, contrariado por ver negados alguns privilégios, fechou a Casa com grande truculência.
      Agora me explique como os republicanos se opunham ao aumento do eleitorado se em 1891 aboliram de vez o voto censitário.

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  19. Deodoro, Floriano, Campos Sales, Prudente de Moraes, Rodrigues Alves e centenas de outros que poderíamos listar aqui eram homens perfeitamente integrados ao sistema político do Império até as vésperas do 15 de novembro.

    Sistema político que estava ás vésperas de ser DINAMITADO pelo terceiro reinado. que eu saiba a Redentora tinha amplo apoio popular é só ver as constantes manifestações civis que aconteciam no dia 29 de Julho de 1891,1892,1893,1894 e assim foram até 1906

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  20. Ops... quando cheguei aqui, já havia 27 comentários, todos bem inflamados! É curioso que tema tão requentado ainda desperte tantas paixões em uma época em que praticamente ninguém cogite seriamente em reimplantar a monarquia no Brasil. Mas isso acontece porque os personagens e os acontecimentos da época são emblemáticos para os conservadores e os revolucionários de hoje. Entretanto, penso que a função do historiador é ir às fontes e afastar o entulho de versões que se acumulou ao longo dos anos, e para isso é preciso, além de paciência, absoluta isenção ideológica.

    Eu primeiro lugar, eu acho muito tola essa compulsão, aliás endossada por muitos professores de ensino médio, em caricaturizar personagens do primeiro reinado, sobretudo D. João VI, retratado como glutão, preguiçoso e covarde. Não vejo aí outra coisa além de um eco tardio da rivalidade que existia entre brasileiros natos e portugueses, particularmente aguda na ocasião. Mas me diga com sinceridade, Gustavo, você realmente acredita que um rei tão parvo seria capaz de passar incólume pelo olho de um furacão, como pode ser definido o momento histórico em que viveu, enquanto reis muito mais poderosos eram depostos e humilhados? Penso que por trás da aparência pacata do rei havia muita habilidade em lidar com sinucas-de-bico. E me diga também, Gustavo, você realmente acredita que a independência do Brasil foi proclamada em sete de setembro de 1822 por causa de uma indisposição intestinal de Dom Pedro I, e se ele não tivesse tal indisposição, a História do Brasil seria outra? Vale lembrar que desde o Dia do Fico, Dom Pedro já havia se declarado formalmente rebelde às cortes de Lisboa, a frota portuguesa já estava a caminho, e nada do que sucedeu ou deixou de suceder naquele sete de setembro poderia influir no rumo dos acontecimentos.

    Você não vê valor na obtenção da independência com manutenção do mesmo governo dos tempos coloniais. Mas quando você ressalva, mais adiante, que os primeiros homens da República Velha eram os mesmos homens do fim do Império, e que foram mantidos os vícios do regime, você implicitamente reconhece que esses vícios eram pertinentes à sociedade, e não ao regime político. Eu me pergunto se seria preferível ser governado por uma elite ignorante do que por uma elite culta. O que aconteceu em nosso vizinhos hispânicos responde a essa pergunta. Você nunca se questionou como foi possível que países que tiveram como governante Simón Bolívar puderam ter, menos de cem anos depois, governantes como os tiranos Gómez e Melgarejo? Eu prefiro mil vezes os Bragança.

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    1. Mundim, quanto tempo!
      Não sei se você percebeu, mas no texto me referi à "velha caricatura" do D. João VI palerma. O regente e depois rei foi um homem que conseguiu se manter no poder durante décadas enfrentando quase sempre conjunturas desfavoráveis, negociando em condições de inferioridade ou sob pressão. De parvo não tinha nada, e nenhum palerma embromaria Napoleão por mais de dois anos.
      Vou considerar mera piada (e no máximo razoável) a sua "interpretação" de outro texto meu de que Pedro I só parou no Ipiranga porque estava com diarreia. É evidente que havia um complexo processo político em curso que dificilmente seria detido. Atendidas as provocações de praxe, vamos às discordâncias que realmente contam.
      Não vejo, de fato, valor na preservação das estruturas coloniais. A começar pela constatação de que tivemos uma colonização que desprezou por completo a educação superior. Quem não fosse rico o suficiente para enviar os filhos a uma universidade europeia que se conformasse em dar a eles pouco mais do que as primeiras letras.
      Enquanto um Simón Bolívar, oportunamente citado, apresentava propostas contra a escravidão dos negros e a servidão dos índios, inclusive incorporando ex-escravos e ex-servos na luta pela Independência (vide as tropas de Páez e Piar), os dirigentes do novo Império empurravam estas questões para as calendas gregas, quando não viam pura e simplesmente os escravos como propriedade intocável.
      Noto que mantém a antiga mania de construir estereótipos como o do imperador sábio e o do general ou bandoleiro gorilão que chega à presidência da República. Consegue me irritar um pouco, admito, mas empobrece o debate. Uma república em colapso pode ter de fato um Mariano Melgarejo na chefia do Estado fazendo tiro ao alvo na cabeça dos transeuntes, assim como outras repúblicas um pouco mais organizadas podem ter um Tomás Estrada Palma ou um Domingo Faustino Sarmiento como presidentes-sábios. No contraponto, penso que você mesmo se lembraria facilmente de vários reis que não foram exemplos de desenvolvimento intelectual e/ou que cometeram atrocidades mais amplas do que as de Melgarejo.

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  21. Redentora de quem? Não cansam de repetir bobagens surradas? Até hoje nenhum monarquista explicou como a família imperial, às vésperas da abolição, pôde conviver com um presidente de Conselho ultra-escravagista como Cotegipe, quando o próprio Partido Conservador ofereceria dezenas de alternativas.
    A princesa Isabel viraria pelo avesso o sistema político vigente ao longo de todo o reinado do pai? Pegue menos pesado, pois esta nem uma Velhinha de Taubaté consegue engolir!

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    1. Pois veja como o nosso modelo político era mais requintado que os dos nossos vizinhos, fato reconhecido por um dos maiores historiadores argentinos, Tulio Alperin Donghi: uma realeza abolicionista convivendo com um gabinete escravagista. E daí? Por acaso um presidente, por exemplo, não tem que engolir seus adversários em pleno Congresso Nacional? A princesa Isabel estava doida para ver-se livre de Cotegipe e antecipar a abolição. Depois que ela conseguiu se livrar dele, a partir de um incidente de rua, quem veio depois? João Alfredo, do PARTIDO CONSERVADOR. Viu? O Partido Conservador dava ''dezenas de alternativas'', como você mesmo disse...

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    2. Confesso minha surpresa ao vê-lo recorrer a um autor tão à esquerda quanto Halperin Donghi, o que não deixa de ser uma temeridade, tendo em vista a opinião de praticamente todos os argentinos a respeito do Império do Brasil. Vejamos algumas passagens da História da América Latina de HD:

      O Chile representou nesse período um modelo bem realizado de política oligárquica e nenhum país da América Latina poderia comparar-se com ele. Mesmo o Império do Brasil, naqueles anos [década de 1860], perde muito do seu anterior prestígio: verifica-se uma progressiva deterioração do equilíbrio político, que já anteriormente era muito menos perfeito do que poderiam levar a supor certas descrições idealizadas. (p. 162)

      A independência de Mauá em relação às finanças britânicas, na verdade, era mais aparente do que real; mas de qualquer modo, a falência de seu banco revelou que o Brasil não podia manter nem sequer uma autonomia financeira parcialmente fictícia. (p. 163)

      O novo regime brasileiro [a República] apoiava-se sobre bases mais sólidas do que poderia fazer supor a evolução bastante fraca dos últimos vinte anos de regime imperial. O Brasil do café não precisava da escravidão: a imigração europeia cobriria, pelo menos em parte, a necessidade de mão de obra, a qual, a mais longo prazo, seria assegurada e a preço módico- pela expansão demográfica (p. 164)

      Não me parece que, no conjunto, Halperin Donghi seja algum apologista da monarquia.

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    3. Que eu admita acriticamente um abolicionismo apaixonado do imperador e da princesa. A convivência entre uma "realeza abolicionista" e um "gabinete escravagista" mais parece falha do que mérito do sistema. Como um país pode funcionar se o chefe de Estado e o chefe de governo, ambos dotados de atribuições de peso, exercem influências contrárias sobre a organização econômica? Pode, por exemplo, um movimento sindical ser efetivo se metade de seus diretores prega a greve e a outra metade recomenda trabalho em dobro porque os patrões são bons?

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  22. Deixa ver se eu entendo UMA LIDERANÇA REPUBLICANA viraria pelo avesso o sistema político vigente ao longo de todos os 124 anos de República mas a Redentora não ??????

    Não entendo porque a defesa de um regime DECREPITO E ANTIPOPULAR como este atual

    "Quanto uma república deixa de ser pública ela vira somente RÉ" Fernando Pessoa

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    1. Seu chilique não deixa de ser humorístico, sobretudo quando tenta defender um regime tão DECRÉPITO que passou os últimos 21 anos de crise em crise, até desmoronar sem que fosse preciso um só tiro.
      Pior ainda: atribui a missão de modificar a sociedade a lideranças isoladas, coisa em que não acredito, de fato. Minha república dos sonhos, digamos assim, seria marcada pela participação popular intensa e constante, pelo amplo predomínio dos interesses da maioria,e não pelo comando de "homens providenciais" ou de oligarquias porcas autoinvestidas do título de elite.

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  23. "Em 1881, através de reforma eleitoral — a Lei Saraiva — o Império reduziu o eleitorado brasileiro de 1.1 14.066 para 145.296 votantes." SILÊNCIO REPUBLICANO sobre a medida

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    1. Silêncio republicano a respeito de uma barbaridade cometida por monarquistas. No que isto ajuda a sua causa? Por outro lado, tente comparar o percentual de abolicionistas entre o movimento republicano, sobretudo o carioca, com o existente entre os políticos tradicionais da monarquia.

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  24. Ao Gabriel Carvalho das 12:14

    Seu entusiasmo com a permissão do voto dos analfabetos não se sustenta. Em primeiro lugar, em certas épocas a legislação exigiu que a cédula fosse assinada, o que dava margem às mesas eleitorais para afastá-los do exercício deste direito. Em segundo, as demais regras do sistema impediam, na letra ou na prática, que chegassem à condição de eleitores secundários. É claro que você pode fazer uma pesquisa exaustiva e descobrir alguma exceção, mas tratamos aqui das características gerais do sistema.
    Perdoe-me a franqueza, mas o fato de alguém minimizar o analfabetismo de 80% da população livre é o cúmulo do reacionarismo. Por fim, registro que atribuir todos os [poucos] avanços na Educação a um homem santo, clarividente e talvez onisciente é menosprezar a ação de numerosos presidentes e outros funcionários que implantaram reformas no plano local e tentaram reproduzir no Brasil diversas metodologias europeias.

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  25. Gustavo, você não compreende que o advento do Terceiro Reinado e a continuação da Monarquia, com todas as reformas que Ouro Preto se propôs a fazer, incluindo a reforma agrária, seria melhor para o Brasil do que a República? O Brasil não precisava nem precisa da República, as reformas que os republicanos tanto desejavam era possível na Monarquia. A República nunca foi necessária. Eu escrevi respostas que não foram publicadas,dá uma olhada, por favor.

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    1. O que compreendo é que você constrói "História Alternativa" com base em seus juízos de valor. No terreno das hipóteses, é possível fazer numa monarquia qualquer coisa realizada numa república. O problema, no nosso caso específico, seria reformar com as bases políticas concretas que sustentavam o Império brasileiro. Não seria a situação de VOCÊ entender que um regime que passou por vinte anos seguidos de crises já tinha esgotado suas possibilidades?

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  26. Estou me familiarizando com o tema monarquia a pouco tempo, mas o mínimo de conhecimento adquirido a respeito, me leva a entender que o autor desse artigo está totalmente desprovido de conhecimento e competência para discorrer sobre monarquia. Uma criança perceberia isso. É lógico que não existiu, não existe e nunca existirá forma de governo perfeita e não irei perder muito tempo tentando rebater com argumentos o texto supracitado, até mesmo porque verdadeiros conhecedores do assunto, já o fizeram com muita propriedade, porém, deixo só uma dica para o autor do texto mencionado acima, observe as monarquias atuais e as compare com a sua bela república presidencialista brasileira, corrupta.

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    1. Está se familiarizando "a pouco tempo"? Deve se familiarizar também, nem que seja um pouquinho, com a gramática. É lógico que não vai perder tempo em tentar fazer o que não sabe, escrever! A propósito, jovem deslumbrado, Arábia Saudita, Butão, Lesoto, Kuwait e Brunei também são "monarquias atuais".

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    2. Reino Unido, Luxemburgo, Suécia, Noruega, Canadá, Dinamarca, Luxemburgo, Holanda , Bélgica, Austrália, Nova Zelândia, Mônaco também são.

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    3. Como gosta do critério comparativo, vamos lá: o que a Alemanha republicana deve em qualidade de vida ao Reino Unido? O que a Finlândia republicana deve à Suécia? O que a Suíça republicana deve à Holanda? O que a França republicana deve à Bélgica?
      Por outro lado, que importância tem a existência da rainha no cotidiano dos canadenses, australianos e neozelandeses? Nem podemos dizer que a família real incrementa o turismo nestes países!

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  27. Ao Sonir (segunda parte):

    3)Tenho notado que o senhor, acompanhado por outros, gosta de se referir ao que "viria a ser" com forte crença de que o que foi idealizado por alguns se tornaria a realidade aceita por todos. Se lermos certos trechos de Mauá, por exemplo, pensaremos que o Brasil poderia ter se tornado a oficina das Américas, hipótese que nem merece a nossa verificação. Onde estavam os avanços científicos, se o país era agrícola (sem dúvida) e o simples arado era quase um artigo de luxo? De que adiantava colocar em exposição os últimos "brinquedos" criados na Europa e nos EUA se não havia sequer uma política séria para matar os mosquitos da capital do país? Poucas coisas são tão ilustrativas do Império quanto o fato de Bernardo Pereira de Vasconcellos, a principal cabeça pensante na fundação do partido hegemônico, ter morrido de febre amarela.

    4)Para encerrar, só me cabe classificar a intervenção do senhor como uma pobre bravata sem base bibliográfica e motivada pela raivinha de ver suas fantasias achincalhadas.

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  28. O tempo me contraria, mas quando for possível publicarei e responderei aos demais comentários, inclusive os sete do Gabriel Carvalho que estão na caixa de mensagens.

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  29. Ao Gabriel de Carvalho, 4/7, 12:00

    Ao Ruy Barbosa decepcionado com a República podemos contrapor facilmente um visconde do Uruguai já saturado do sistema político imperial em meados da década de 50 e um Torres Homem, alguns anos mais tarde, dizendo que perdera sua saúde junto com as ilusões. Acho muito significativo que o próprio José Murilo de Carvalho tenha usado a expressão "teatro de sombras" para definir o jogo político monárquico.
    De resto, e já fica cansativo repetir, mais uma vez você cai na ingenuidade ao fazer eco a juízos de valor de determinados autores para proclamar a honestidade de políticos com os quais os mesmos autores se identificavam. Usando a mesma estratégia com sinal trocado, eu poderia recorrer a um Carlos Guilherme Mota para chamar Pedro II de "medíocre chapado", a outros autores para dizer que Pedro I foi o "herói sem caráter", ou ainda a Nelson Werneck Sodré para colar impropérios nos rótulos de quase todos os homens da época.

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    1. "De Carlos Guilherme Motta a melhor definição é a inveja. A inveja perpassa toda sua obra.
      Ganhou alguma visibilidade nos anos 80, surfando nas águas de um suposto pensamento crítico da USP. Depois, em um ataque de megalomania, supôs-se competente para escrever uma história do pensamento brasileiro.
      Mas jamais passou de um mero candidato a vendedor de livros, prolífico, superficial. De sua vastíssima bibliografia não restou nada, apenas ecos de um ridículo profundo quando sua malandragem ficou exposta e a inveja passou a ser sua maior característica".
      http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-pequeno-carlos-guilherme-motta

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    2. Tem certeza de que leu alguma coisa? Partamos do princípio de que Luís Nassif está 100% certo. O que, no meu texto, está fundamentado em CGM?

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  30. Ao Gabriel Carvalho de 4/7, 15:37 (O Blogger não está oferecendo a opção Resposta)

    Muito bem: se já leu dezenas de especialistas no tema, deveria apresentar mais argumentos técnicos e menos arroubos emocionais e lugares comuns.

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  31. Por outro lado, tente comparar o crescimento do percentual de republicanos depois da abolição ?

    Desde 14 de maio de 1888 ESCRAVOCRATAS = Republicanos

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    1. O que você me diz por linhas tortas, e realmente qualquer manual sobre Império confirma, é que o setor mais escravocrata da sociedade apoiou a monarquia até o 13 de maio, sentindo-se depois desobrigado de sustentar o regime. Foram os fazendeiros do Vale do Paraíba que fizeram a República? Mata-me de rir. Agora explique uma coisa: o que pensa sobre os monarquistas terem criado uma instituição como a Guarda Negra?

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  32. Ao Gabriel de 4/7, 15:36 (mais uma vez sem a opção Resposta)

    Sua tese é muito fraca, quando sabemos que o imperador convidou para formar governos escravistas tão fervorosos quanto Itaboraí e Cotegipe. Seria o mesmo que tentar promover uma reforma agrária favorável aos camponeses e operários rurais com a Kátia Abreu no comando do Ministério da Agricultura.

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  33. O dono do blog é um esquerdopata,só isso já é o suficiente para o desqualificar.

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    1. O autor do "comentário", embora tenha pretensões de ser uma espécie de médico, está plenamente qualificado para continuar no anonimato.

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  34. Ao Lucas Suzigan 4 de julho de 2013 18:25 (mais uma sem a opção Resposta)

    Você finge não ter entendido a minha argumentação. Longe de misturar a figura do votante com a do eleitor, o que tenho dito o tempo inteiro é que apenas o segundo tinha o direito de eleger deputados provinciais, gerais e senadores. Em suma: só 0,25% dos brasileiros, pela lei de 1875, exerciam o direito de voto no nível mais alto.
    Concordo plenamente com a sua afirmação de que o modelo político brasileiro teve inspiração francesa, mas parece bem óbvio que o Império fez questão de não acompanhar o que ocorria de mais avançado na "matriz". Já disse antes, e ninguém tentou "refutar", que a maior parte da Europa experimentou uma grande expansão do sufrágio em meados do século, enquanto o Brasil mantinha os níveis de exclusão da época de Pedro I.
    Perdoe-me agora a franqueza, mas a "justificativa" do sistema de dois graus foi cretina. Observe questões que passam pela simples aritmética: nada podia ser mais confuso do que todos os votantes de uma paróquia votarem em dez, doze ou quinze cidadãos que deviam representá-los como eleitores secundários. Entretanto, isto era feito; todos votavam e as listas eram contabilizadas, ainda que com a "lisura" que conhecemos. Por que os mesmos votantes não poderiam, dentro das regras dos Círculos de 1855, por exemplo, votar diretamente em um deputado geral e cinco provinciais, partindo de um universo de candidatos muito menor?
    O que acontece, entretanto, é que estamos nitidamente num diálogo de surdos. Monarquistas, reacionários por excelência, admiram sociedades ultra-hierarquizadas, quiçá estamentais, e não veem nada de escandaloso ao constatar as exclusões eleitorais maciças e o estabelecimento de categorias de votantes. Eu, que trabalho no sentido de deslegitimar e se possível quebrar as estruturas de dominação, vou sempre cair no extremo oposto.
    Quanto ao último aspecto factual, uma breve leitura de Hobsbawn, entre várias fontes possíveis, desmentiria a sua colocação de que apenas uns quatro países tinham eleitorado proporcionalmente maior do que o brasileiro.

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  35. Por que você é tão seletivo em aprovar comentários?Será que você quer mesmo discutir sobre monarquia ou é só mais um embirradinho com esse sistema?

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    1. Vou deixar duas alternativas:
      a)Não tenho uma equipe editorial que possa ficar 24 horas por dia no esquema de réplicas e tréplicas com um movimento organizado inteiro.
      b)Fui esmagado pela sua retórica e resolvi só responder aos fraquinhos.

      Obs: se leu o post e não entendeu "o que eu quero", também estou com preguiça de explicar.

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  36. "Monarquistas, reacionários por excelência, admiram sociedades ultra-hierarquizadas, quiçá estamentais, e não veem nada de escandaloso ao constatar as exclusões eleitorais maciças e o estabelecimento de categorias de votantes."


    Nossa! Dessa vez você viajou legal nos seus delírios esquerdistas,hein!

    Não vou explicar mais nada para pessoas de mente obtusa como a sua.

    Continue aí com suas demagogias,utopias,democratismo e ignorância,já que não está disposto a se libertar disso tudo.

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    1. Só um dado de realidade: é você quem sonha com o terceiro reinado e sou eu o utópico, o delirante? Capotei de rir. Quase tão engraçado quanto é o seu discurso de "libertação", como se a rejeição dos princípios aristocráticos fosse uma espécie de vício que leva alguém às chamas eternas. Quer algo mais obtuso do que acreditar que uma família deve ocupar para sempre a chefia de um Estado?

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  37. Daqui a trezentos anos,um esquerdista (partindo do pressuposto de que a humanidade não evoluirá,e ainda existirão esquerdistas) criticará os E.U.A.,dizendo que,em pleno século XXI,os americanos ainda não haviam erradicado o câncer e que a infraestrutura do país deles era precária,já que não haviam popularizado a internet com velocidade de 1 terabyte por segundo. kkkkkk

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    1. Obs: A resposta caiu abaixo da postagem do Rodrigo Passos.

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  38. Caro Professor Gustavo,você faz um anacronismo histórico terrível! Quase todos os países da época tinham os defeitos que você apontou do Império.Nada do que você escreveu não pode ser explicado pelo contexto histórico.Com certeza se o regime do Brasil fosse replublicano naquela época,as coisas seriam do mesmo modo ou até piores. Ver os duros discursos de Rui Barbosa no Senado, decepcionado com a recente república,já é mais que suficiente pra qualquer pessoa refletir.

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    1. Mais um adepto da História Alternativa... Haja paciência. Não obstante as suas certezas, permita-me colocar duas dúvidas:

      Por que todas as repúblicas da América aboliram, pelo menos na letra da lei, os sistemas de trabalho compulsório vinte, trinta, quarenta anos antes do Brasil, inclusive países que tinham uma grande população cativa como a Colômbia e a Venezuela? Seria mera coincidência o Império ter como parceira na escravidão, em plena década de 1880, uma colônia de outro país monárquico?

      Já que repúblicas tendem à tirania, como se explica um Bolívar, na década de 1820, defendendo o sistema de um eleitor para cada dez habitantes, e o Segundo Reinado com um eleitor de segundo grau para cada 400 habitantes no avançado ano de 1875?

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  39. Essas coisas que vc mencionou no seu post/artigo inicial (em itens, inclusive) também ocorriam nos EUA na mesma época, embora o governo fosse altamente democrático para os padrões mundiais da época.

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    1. A que coisas você se refere? O analfabetismo de 80% na população livre? Caso consiga provar, escreverá uma tese revolucionária! A agricultura dependente da enxada, com plantio e colheita quase inteiramente manuais? Acho que piora. Religião oficial, padroado? Quase conseguiu me surpreender.

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  40. Não tenho a menor dúvida de que daqui a trezentos anos a humanidade inteira bajulará os Bourbons, Braganças e Windsors (risos convulsivos)! Agora volte a ler algum panegírico imbecil para se convencer cada vez mais de que mesmo sendo um país cheio de escravos que dependia de uma agricultura tecnicamente atrasada e com 80% de analfabetos na população livre o Império do Brasil era o melhor dos mundos!

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  41. Admito a falta de tempo hábil para responder a todas as objeções, sobretudo as postagens mais longas que muitas vezes reprisam ideias já expostas anteriormente, e por ora suspendo este debate. Isto não impede, muito pelo contrário, que os monarquistas que aqui compareceram reúnam seus argumentos de maneira mais sistemática em artigos que acabarei lendo cedo ou tarde, se é que a minha atenção vale de alguma coisa. Agradeço a todos, com exceção dos três ou quatro desocupados de sempre que vêm aqui vomitar impropérios nunca publicados.

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  42. A tenacidade em defender a instauração de um regime ilegítimo, inconstitucional e feito à revelia da participação popular só se faz entender por questões pessoais e não da racionalidade.
    Alguém a quem os valores nacionais e os da família e os da tradição nada significa. Alguém a quem um país é só um amontoado de pessoas a perseguir interesses individuais. Alguém que utilizando-se da sutileza e do sarcasmo, na solidão da sua mediocridade goza do prazer iconoclasta daqueles que nunca edificaram e nem hão de edificar nada.
    É óbvio que a monarquia é a responsável não só por um processo de independência que poupou a desintegração e o sangue dos brasileiros, quanto deu ao país uma ordem constitucional e tempo suficiente para a criação de uma verdadeira identidade nacional.
    Tudo sob o signo do regime que despresivelmente qualifica como "hereditário". Uma estreiteza de pensamento que não deixa ver no respeito ao direito dinástico a coroação do respeito pelos feitos dos antepassados e que a palavra nobreza não é sinônimo de privilégio (embora indiretamente o seja), mas sim de distinção. Estas palavras tem muito mais razão quando se aplicam à Casa Imperial do Brasil e a forma como foi derrubada a monarquia.
    A sua cruzada, meu caro senhor, não é contra a monarquia. A sua luta é contra a sua própria estatura. Preso ao chão dos seus preconceitos e verdades absolutas, não se deixa influenciar por factos que demonstraram grandes injustiças acometidas, não contra a monarquia em si, mas contra os valores constitucionais por ela defendidos, em prol de um "republicanismo" que existia muito mais na época do império do que com o advento da república, por mais paradoxo que isso possa parecer.
    Apontar o padroado, o senado vitalício e o direito de voto reduzido são argumentos covardes! É óbvio que o imperador estava demasiado velho e cansado para promover reformas, mas peço que poste aqui qualquer evidência de que alguma proposta de mudança a estas situações foi impedida de ser apresentada ou discutida nos órgãos legislativos do império.
    Gosta de referir do tráfico de escravos e da própria escravidão, enquanto o próprio regime foi o maior defensor da abolição desta monstruosidade e que o Imperador sabia muito bem quem estaria a afrontar com a abolição SEM PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO aos senhores de escravos.
    Gosta de publicar ilustrações jocosas de Dom Pedro II, mas a sua torpeza de espírito não lhe permite ver nisso o exercício das liberdades individuais, o direito de livre expressão do pensamento e a supremacia da ordem constitucional, uma vez que as mesmas ilustrações foram publicadas ainda em vigência da monarquia e do reinado deste imperador, sem que tivessem sofrido qualquer censuara.
    É óbvio que na época do império também havia imensos problemas e limitações, como em grande parte do mundo, mas daí a imputar todos os males ao regime monárquico, vai uma distância que indicia o tendencialismo preconceituoso dos que vêem a ciência histórica como meio de fazer política ideológica, relegando tristemente à mediocridade a ciência que deviam respeitar e valorizar com o relato imparcial quanto aos grupos e aos seus ideais num determinado período de tempo.




    Qvosque tandem abvtere, Catilina, patientia nostra?!!!!!!!!!!!!

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  43. Já havia encerrado a sessão de respostas, pela óbvia impossibilidade de discutir com um movimento político inteiro, mas decidi abrir esta exceção. Talvez pelo fato de ter "sutileza e sarcasmo" reconhecidos pelo comentarista, enquanto vários outros me chamam de camelo batizado para baixo, mesmo desconhecendo as regras mais elementares da concordância e da ortografia.
    Vamos sucintamente às objeções apresentadas:
    .É certo que a implantação da República não teve por trás grandes mobilizações populares, mas o argumento perde toda sua força quando recordamos que o Império também foi fundado de cima para baixo, a não ser que alguém acredite que D. Pedro I desfrutou da "aclamação unânime dos povos". Também parece absurdo monarquistas brasileiros reivindicarem apego ao princípio constitucional, visto que o regime que idolatram funcionou durante 65 anos com uma Constituição "outorgada".
    .O ad hominem do segundo parágrafo é no mínimo ridículo. Não faz qualquer sentido insinuar que só conservadores (eventualmente conservadores monarquistas)possuem apego à nacionalidade ou à família. Pior ainda é me atribuir um individualismo selvagem quando o que se vê, em todo o blog, é um coletivismo visceral.
    .O apelo ao velho chavão de que a independência com manutenção da dinastia de Bragança poupou o nosso sangue também é fraco. Implica, em primeiro lugar, no esquecimento da violenta repressão da Confederação do Equador e dos desastres na região platina; em segundo, no esquecimento de que as tensões de classe, etnia e origem regional, contidas no primeiro instante, explodiram violentamente na década seguinte, produzindo dezenas de milhares de mortes.
    .Desprezo de fato, e sem concessões, o princípio do poder hereditário, tanto quando a sua grafia particular de "desprezivelmente". Também penso que só com notável malabarismo você poderá sustentar a "distinção" da nobreza brasileira, quando sabemos (basta voltar ao texto principal)que D. Pedro I comprou apoio ao seu regime oferecendo toneladas de comendas da Ordem de Cristo e D. Pedro II tentou salvar a dinastia distribuindo a rodo baronatos para fazendeiros obscuros. Aliás, para descaracterizar esta fidalguia bastaria lembrarmos que os títulos eram comprados numa repartição pública, o que motivou ao longo de décadas charges das mais divertidas.
    (continua)

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  44. .Você tem toda razão ao afirmar que não movo uma cruzada contra a monarquia, o que faria de mim um completo louco, levando-se em consideração as possibilidades atuais dos monarquistas. Fiz na verdade uma crítica à idealização que uma parte da direita construiu sobre o Império, e dezenas de analfabetos funcionais decidiram "ler" outra coisa.
    .Sobre a minha insignificância, mediocridade e/ou mesquinhez, julgo que não preciso responder a um anônimo que cultua a monarquia usando como avatar uma representação de Tiradentes.
    .Voltando ao foco, continuo sem enxergar espírito republicano num regime em que o nepotismo era generalizado. Ao invés de repetir lugares comuns, que tal folhear os antigos relatórios das presidências de província, os almanaques do tipo Laemmert, e verificar por si mesmo que praticamente todos os cargos públicos eram preenchidos de acordo com relações partidárias e familiares?
    .O argumento de que D. Pedro II estava "velho e cansado" é um suicídio retórico. Caso o imperador vivesse mais 25 anos, teríamos então uma geração inteira de inércia política? Note sua própria contradição, quando enaltece o constitucionalismo e ao mesmo tempo não deixa de atribuir a um homem isolado a faculdade de "reformar o sistema".
    .Toda e qualquer mudança poderia ser proposta no Parlamento do Império, assim como tudo que possamos imaginar chegou a ser proposto nas constituintes republicanas. Mas a questão principal é a seguinte: que mudanças estruturais seriam possíveis se TODOS os membros do Parlamento pertenciam aos setores aos quais interessaram, ao longo de quase todo o Império, o trabalho escravo, o voto censitário, o sistema eleitoral de dois graus?
    (continua)

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  45. .O apelo à antiquíssima alegoria da família imperial abolicionista em luta contra a classe senhorial escravista revela ingenuidade, puerilidade mesmo. Nem um adolescente acreditará que um regime pode sobreviver por várias décadas em confronto com suas próprias bases sociais. Vale ainda recordar que a inviabilização definitiva das indenizações aos fazendeiros ocorreu na República, quando Ruy Barbosa mandou incinerar a documentação fiscal relativa aos escravos. Triste para os historiadores, mas eficaz quanto ao que o governo pretendia.
    .Sua "prova" da tolerância e da democracia do Império são as caricaturas de D. Pedro II caindo da cadeira, dormindo em cima de jornais e sendo cuidado por um menino escravo? Que diríamos então de Figueiredo e Collor, alvo preferencial da chacota dos chargistas ao longo de seus governos inteiros? Foram paladinos da democracia? Ou andaram fechando jornais?
    (ainda continua)

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  46. .Como você diz, "é óbvio" que o descaso com a saúde pública, com a educação da maioria, com o planejamento urbano, com a sorte da mão de obra, também poderiam ocorrer em regime republicano. Mas o fato é que não tratamos de hipóteses, de idealizações, e sim dos quadros reais que caracterizaram o Império, verificáveis por estatísticas, relatos oficiais e informais, fotografias. Por tudo isto, ataco as fábulas elaboradas a respeito da monarquia.
    .Ainda aproveitando as suas palavras, registro "os problemas e limitações" de quem pensa que escrever um texto de blog é o mesmo que elaborar uma tese acadêmica ou um artigo para congresso de historiadores. Um blog é um espaço de opinião, onde posso a qualquer instante inscrever meus juízos de valor, e melhor ainda se embasados em fontes. Entendeu ou quer que alguém desenhe?

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  47. Parabéns pelo post.

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  48. E ainda há quem queria a volta da monarquia.HAHAHAHHAHAHA!

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  49. A maioria dos primeiros-ministros do Brasil Império eram escravistas; alguns mais fervorosos: Martinho Campos e Joaquim Rodrigues Torres; outros em uma escala mais sútil: Zacarias Góis e marquês de Olinda.

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